Ablação de Fibrilacao Atrial

pacelab_ablacao_atrialA fibrilação atrial (FA) é a arritmia cardíaca mais frequente na população geral, comum em portadores de cardiopatias estruturais. Sua presença é associada a aumento significativo da morbidade e da mortalidade, sendo responsável por até 20% dos casos de acidentes vasculares encefálicos isquêmicos.

O tratamento farmacológico dessa enfermidade ba­seia-se no uso de fármacos antiarrítmicos. Em pacientes com fatores de risco para eventos tromboembólicos, são associados anticoagulantes. Entretanto, em médio e longo prazo, a terapia medicamentosa é por si só, incapaz de prevenir a recorrência de surtos de FA em até 50% dos pacientes, o que leva a perdas significativas de sua qualidade de vida. A maioria dos casos requer anticoagulação crônica.

Em um grande estudo multicêntrico (AFFIRM), a terapia farmacológica antiarrítmica para manutenção do ritmo sinusal não se mostrou benéfica quando comparada ao controle da frequência ventricular associado a anticoagulação, em relação a mortalidade e eventos isquêmicos encefálicos. A ausência de diferença estatisticamente significativa entre essas duas estratégias de tratamento levou muitos a desistir do ritmo sinusal em favor de deixar os pacientes em FA. A extrapolação generalizada desse novo “dogma” afetou as diversas populações atingidas pela FA.

Porém, após a análise baseada no tratamento de fato administrado para cada grupo de pacientes (“on-treatment analysis”), verificou-se que talvez o mais correto seja ablacao_2afirmar que os desapontadores resultados com o tratamento farmacológico da FA se equivalem a simplesmente controlar a frequência e prevenir eventos embólicos; não se deve, portanto, condenar o ritmo sinusal a condição de igualdade à FA. Neste aspecto, um sub-estudo do AFFIRM confirmou que a manutenção do ritmo sinusal é sim um fator preditor independente de melhor sobrevida. O que parece é que os efeitos adversos e a baixa efetividade das drogas antiarrítmicas anulam os efeitos benéficos do ritmo sinusal. Esses dados denotam a urgente necessidade do desenvolvimento de terapias mais eficazes e seguras para o tratamento de pacientes com FA.

As observações pioneiras de Haisaguerre et al evidenciaram o papel fundamental das veias pulmonares (VP) na fisiopatologia dos episódios de FA. Com isso, estabeleceu-se o conceito de FA focal, para a qual foram propostas intervenções terapêuticas de caráter minimamente invasivo. Técnicas utilizando a ablação por catéter6-10 foram desenvolvidas e aperfeiçoadas11-13 visando à eliminação do foco gerador da FA, por meio da ablação da região circunferencial às VP, com índices de sucesso superiores à melhor terapêutica farmacológica.

Técnicas

Estratégias de Ablação

Ao longo dos últimos 12 anos, diversas estratégias de ablação foram utilizadas para controle da FA. Atualmente, é consenso que o isolamento das VP é fundamental em todos os grupos de pacientes (FA paroxística, persistente ou permanente)15. Esse isolamento deve ser comprovado eletricamente por meio do mapeamento circular do interior das VP, etapa primordial para o sucesso do procedimento.

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